Montagem de sistemas de irrigação – parte II


JOSÉ GIACOIA NETO
Engenheiro Agrícola,
M.Sc. em Irrigação e Drenagem (UFV)
MBA em Gestão Comercial (FGV)
Gerente Internacional de Negócios Américas, Rain Bird Intl.


PROCEDIMENTOS DE MONTAGEM E IMPLANTAÇÃO DE PROJETOS DE IRRIGAÇÃO PARA PAISAGISMO E GRAMADOS
PARTE II

Depois de termos um projeto bem elaborado e contendo toda documentação necessária a uma boa instalação vamos passar a instalação de fato.

A instalação de um sistema de irrigação possui fases e as seguintes etapas:

1 – Marcação da Obra:

2 – Escavação

3 – Obras Civis de comunicação entre áreas

4 – Instalação e Montagem Hidráulica

5 – Instalação e Montagem Elétrica

6 – Instalação e Montagem de sistema de bombeamento

7 – Instalação e Montagem dos Controles e Automação

8 – Testes, programação e entrega da obra.

 

1) MARCAÇÃO DA OBRA:

 

  • Deverá ser feita pelo responsável pela obra (engenheiro/técnico) juntamente com o encarregado que conduzirá a mesma.
  • De posse da planta, os pontos dos aspersores e os locais de instalação das válvulas deverão ser marcados utilizando estacas com bandeirinhas e as medidas conferidas. Sendo que aspersores Sprays serão marcados com bandeirinhas vermelhas, aspersores rotores com bandeirinhas amarelas e válvulas com bandeirinhas pretas e onde serão instalados adaptadores PA utilizar bandeirinhas verdes.
  • A marcação deve ser feita utilizando uma trena e tendo sempre como referência os extremos de área. Caso as medidas no campo não sejam idênticas às do projeto, dividir o alinhamento pelo número de pontos locados na planta. Se a variação da distância entre estes pontos for igual ou menor que 5% do espaçamento do projeto, efetuar a marcação nesse novo espaçamento. Se for maior, o projeto deve ser revisado e feito um novo dimensionamento. Talvez essa seja a parte mais importante na instalação de um sistema.

sistemas de irrigação - parte II aFig 1. Espaçamentos não equidistantes.

A Fig 1. Temos um exemplo de um projeto onde o espaçamento está desuniforme e se a instalação for feita desta forma teremos problemas futuros em relação a uniformidade e precipitação menor na área em que o espaçamento ficou com 18,5 metros.

A forma correta é posicionar sempre os aspersores equidistantes como está na figura 2. Distância entreo os aspersores deve ser igual a 48,5 metros dividido por número de espaçamentos 48,5 m / 3 = 16,17 msistemas de irrigação - parte II bFig 2. Marcação com a distância correta entre aspersores.

 

  • As possíveis alterações no projeto original devem ser anotadas para que o mesmo seja redesenhado e/ou recalculado, caso necessário.
  • Em áreas maiores como parques, condomínios, gramados esportivos como campos de Golfe e Estádios, temos sempre que utilizar a marcação de posição dos aspersores por topografia para mantermos a integridade da precipitação e a uniformidade de aplicação de água do sistema.

sistemas de irrigação - parte II c

Fig 3. Exemplo de uma marcação de obra perfeita. Temos traçado da tubulação pintado no piso para posição exata de onde serão escavadas as valetas.

A posição correta de onde serão instalados os aspersores é fundamental para termos um sistema eficiente.

As esquinas e áreas limites são pontos críticos e o posição sempre tem que ser na bissetriz do ângulo da área.

sistemas de irrigação - parte II d

A Fig. 4 nos mostra qual deve ser a posição do aspersor em um ângulo de 90 graus

 

sistemas de irrigação - parte II e

Fig 5. Posição de um aspersor em uma esquina de 270o.

A Fig. 5 no mostra qual a posição correta para a instalação de um aspersor em uma quina com ângulo de 270 graus.

 

2)   ABERTURA DAS VALAS (ou valetas)

Ao iniciar a abertura das valas observar quais redes serão assentadas, se são redes secundárias ou principal e quais os diâmetros para a partir destas informações definir as profundidades. A profundidade mínima deve ser respeitada a fim de que não haja risco da rede sofrer impactos e ser danificada facilmente. Porém, é interessante que não fique profunda demais de forma que dificulte eventuais manutenções.

  • Define-se por redes laterais ou secundárias aquelas que se situam entre as válvulas de comando e os emissores de água (aspersores) e por rede principal, adutora ou mestra aquela que se situa entre a fonte de alimentação de água para o sistema e as válvulas de comando para as estações ou setores.
  • As valas deverão ser abertas com profundidade mínima de 0,30 m para as redes laterais dos setores e variando de 0,30 a 0,50 m; seguindo as orientações com relação ao diâmetro para a rede principal (adutora)
    • diâmetros de 32 a 50 mm profundidade de 0,35m
    • diâmetro de 75 mm profundidade de 0,40m
    • diâmetros acima de 100 mm profundidade de 0,50m

 

Na América do Sul, infelizmente não existe uma normatização de profundidade de tubos em sistemas de irrigação paisagísticos. Por essa razão os instaladores instalam na profundidade que querem e, na maioria das vezes, muito rasas. Isso provoca acidentes, rompimentos e outros problemas quando temos plantio ou manutenção do jardim.

A norma Americana e a norma Europeia recomendam uma profundidade de 30 cm considerando que a tubulação fique abaixo desta profundidade.

 

Existem dois tipos de forma de abertura de valetas: manual e mecanizada. A abertura mecanizada

A escavação mecanizada pode ser feita por retro escavadeiras ou por máquinas valetadeiras que são específicas para este tipo de trabalho e podem abrir em larguras e profundidades diferentes.

Além disso, temos que levar em conta a facilidade de transporte da máquina a obra e também o trânsito da máquina na obra.

Entrar com uma máquina numa casa requer que as dimensões da mesma sejam apropriadas. Hoje, temos no mercado máquinas de passam em locais com 1 metros de largura.
sistemas de irrigação - parte II fFig 6. Abertura de valetas manual

 

sistemas de irrigação - parte II g

Fig. 7 Abertura de valetas com máquina “valetadeira”

 

Abrir valetas mais largas para a instalação de linha principal, linha secundária e dutos elétricos juntos pode ser realizada sem problemas e é uma prática comum.

Com a facilidade do uso de máquinas valetadeiras é recomendado fazer valas independentes. Isso facilita a montagem, resulta menor quantidade de conexões e também evita  “malabarismos de montagem” nos pontos de conexão de válvulas na linha principal e na rede secundáriasistemas de irrigação - parte II h

Fig 8. Valeta mais larga abrigando linha principal, linha secundária e duto elétrico.

 

Na próxima edição iremos continuar com a parte de escavação e o restante das etapas de instalação.

 

 

 

 

 

 

 

One response to “Montagem de sistemas de irrigação – parte II”

  1. […] continuidade em nossa próxima edição. Bom trabalho a […]

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